War Sounds
Dj Alex Coop & Friends
O Projecto “Geopolítica da Guerra” pretende ser um conjunto de actividades culturais que especulem e reflictam acerca da temática muito geral da GUERRA, das suas causas e consequências, dos seus efeitos geográficos, políticos e sociais.

Compositores_ Chopin Grieg Turina Luz_ Luiz Antunes Figurinos_ Marisa Ribeiro Nuno Pinto Nogueira Promoção Fotografia_ Margarida Dias Design Gráfico_ Estela Pires Assesoria de Imprensa_Catarina Correia
Produção_ Marta Correia Equipa Técnica_ Alberto Diogo Alberto Lopes João Caria Design Gráfico Assistente_ António Santos Assistente de Sala_ Carla Silva
Um local que existe em tantos lugares, nas cabeças de todos.
Uma máscara que deixa de ser máscara quando é a realidade.
Uma batalha entre duas guerras: a interior e a que é de fora.
A solidão é uma situação prometedora. Promete o quê e a quem? Estar isolado para sobreviver, dividir uma sardinha por 7, mas por sete dias.
Ocupar o tempo com a ideia de que quero viver tudo, antes que isto tudo seja o principio do fim. Refugiado de mim mesmo dentro de um som de música... de um único som. Pensar na culpa, mas na culpa de quê? Satisfação da culpa, exercício para aplacar a divindade.
P.S. _ Ensaiar uma estória teatralizada em palavras e sons sem palavras.
CLOWN LÍRICO EM EXERCÍCIO DE EXPIAÇÃO
… resultou da encomenda de uma peça coreográfica com um conceito base: máscaras de guerra.
Tudo começa no espaço vazio de uma divisão: um ponto de luz, uma mancha branca de um tapete quadrangular e um piano ao canto. A dimensão dominante é a de uma realidade imaginária que está imbuída da fusão cândida entre a violência que advem de uma solidão forçada de duas personagens - Ela e Ele. Uma sirene rompe a gestualidade dos intérpretes, representação opressiva de um poder que procura controlar os habitantes de um mundo exterior que não aquele.
O conformismo e a anulação da identidade das duas personagens são a forma de luta contra a opressão que é adaptada a um contexto performativo associado a uma representação teatral.
Num exercício para aplacar o divino, cada uma das personagens interage de forma indirecta. Ela interpreta ao piano citações musicais inter-cortadas de um universo pessoal; ele metamorfoseia-se numa personagem grotesca de um imaginário infantil, que é símbolo de inocência.
Neste trabalho, o gesto não é uma imagem, acaba por ser uma ferramenta, um instrumento. Não há só uma imagem no mundo, há muitos jogos gestuais. Diferentes formas de vida e formas de fazer coisas com gestos. Não está tudo junto. Os limites da gestualidade de cada personagem são os limites do seu próprio mundo, que estão sempre a ir contra as paredes do espaço vazio.
Em Clown Lírico em exercício de expiação as citações sonoras e as peças interpretadas ao piano pontuam e guiam com melancolia lírica uma estrutura gestual programada, unida entre si por um fio condutor que tende a reproduzir um tempo emocional e mnemónico, muito mais do que intelectual.
Luiz Antunes
Recorte de Introdução
A Geopolítica é um saber de recente extracção, visto não ter mais de um século e meio. Nasceu numa era de imensa expansão do Homem pelo espaço, conquistando e dominando toda a orbe. Tinha por fito principal a análise das relações das comunidades humanas com o espaço de poder, verificar das ligações entre a pujança de determinadas comunidades e o espaço que subordinavam e punham ao seu serviço. Desde o início que a Geopolítica, de certo modo, se relaciona com o conflito e com a guerra. Relacionar o espaço, o poder no espaço e as comunidades viventes neste, impulsionava fatalmente o saber geopolítico para a dissecação das relações do espaço, físico e humano, com a conflitualidade. A intervenção proposta tem por fito evidenciar a relação que, desde o início houve, no saber da geopolítica, entre a sua visão do espaço e o conflito, a guerra inter e intra-comunitária. Por isso, apresentar-se-á uma breve visão da relação que a geopolítica, desde Ratzel e Mackinder até à actualidade, desenvolveu entre o espaço de poder e a conflitualidade/guerra.
Na origem da Geopolítica está a questão do poder: como explicar a tectónica dos grandes poderes, a sua ascensão e queda. E, em simultâneo, está uma forma de responder: a relação que as comunidades engendram com o espaço que as rodeia e envolve. Para Ratzel, como para Kjellen, os dois primeiros verdadeiros geopolíticos (cabe ao segundo a invenção da palavra), o espaço influencia e é influenciado pelas comunidades que o habitam e que o potenciam e virtualizam. Quanto maior for a rentabilização das qualidades intrínsecas do espaço por cada comunidade, maior a sua capacidade de crescer e por conseguinte, maiores as possibilidade de expansão dessa mesma colectividade. As fronteiras, para os geopolíticos, desde o início da geopolítica, é uma linha que traça as capacidades de expansão das comunidades políticas. Ela, não é natural, mas deriva da dinâmica de cada comunidade política na relação que tem com as adjacentes. As comunidades políticas mais adaptadas ao seu espaço, naturalmente, tenderão a espraiar-se pelas terras alheias.
Para os geopolíticos e para a geopolítica, desde o princípio, por isso, o conflito e a guerra têm origem nas relações dinâmicas que cada comunidade política cria com o espaço. Na sua percepção, o conflito resulta de uma dinâmica, de um conjunto de dialogias que relacionam a comunidade com todo o espaço em que se insere. As comunidades políticas que melhor rentabilizam a sua relação com o espaço, tendem naturalmente a alargar-se à custa daquelas que menos o aproveitam. O “espaço vital” de Ratzel significa isso mesmo. As comunidade dotadas de ampla vitalidade requerem mais espaço, tendo, de forma natural, tendência a usurpá-lo aqueles que menos o aproveitam. Por isso, a linha que traça a fronteira é dinâmica e quase que biológica. Ela reflecte o organicismo das comunidades políticas.
Neste contexto, a guerra é uma deriva da luta pelo “espaço vital”.
Claro que o conceito de “espaço vital”, utilizado pelos Nazis para legitimar a sua política de expansão e a “guerra de aniquilamento” que desenvolveram, tornou a geopolítica suspeita aos olhos dos vencedores da II Guerra Mundial. Sem que tivesse deixado de ser utilizado, o saber geopolítico foi, de certo modo, camuflado noutros saberes: as Relações Internacionais, a História, a Estratégia, a Geografia Política, por exemplo. Seria preciso esperar pelos anos 70/80, principalmente com a valorização de um insuspeito geopolítico do início do século XX, o inglês Halford J. Mackinder, pelos pensadores anglo-saxónicos, para que a geopolítica ganhasse de novo alforria no universo do estudos sobre o conflito e sobre a relação complexa das comunidades políticas com o espaço.
A relação que as comunidades políticas criam com o espaço, por ser dinâmica, é intrinsecamente conflitual. A geopolítica, tem por isso, na sua origem, na sua génese, uma relação de profunda intimidade com a guerra. Na verdade, a geopolítica trata do guerra. A relação que as comunidade políticas criam com o espaço é uma relação de poder, poder de rentabilizar o espaço em seu proveito, e a virtualização do espaço em seu benefício é uma relação de poder. Ora, onde há poder, há guerra. A guerra é um acto de poder. Toda a guerra, diz Clausewitz, tem por fito submeter o outro à minha vontade. Coagir é afirmar o poder, é submeter o outro à minha vontade, é aboli-lo, como diz Mia Couto, pois abolir o outro, é destruir a sua vontade, aquilo que faz o ser, o que faz ser (o Homem é, essencialmente, volição, dizem os filósofos).
Há por isso, alguma redundância, em falar de uma geopolítica de guerra. No seu mais profundo âmago, a geopolítica trata sempre da guerra. E é por isso que a geopolítica começou a ser tão revalorizada nos anos setenta e oitenta do século XX. Questionar a guerra, interpelar a guerra é um convite ao estudo e ao conhecimento da geopolítica.
Os Homens vivem no espaço. O espaço é o meio que os envolve. A utilização do espaço fornece-lhes recursos e dá-lhes vantagens. Algumas comunidades políticas rentabilizam melhor os recursos que outras. Os próprios recursos, com a evolução do Homem, vão sendo mais ou menos valorizados. O domínio de determinados recursos favorece mais umas comunidades políticas que outras. O espaço adquire por isso uma dimensão qualitativa, que emerge como uma vantagem ou desvantagem. Na dialogia da relação dos Homens com o espaço surge a disputa, o conflito, por fim, a guerra pura e dura. É um choque pelo “espaço vital” de Ratzel.
Todos os dias, quando os Media falam de conflitos, não há um que não refira uma dinâmica geopolítica, uma relação dos contendores com uma disputa em redor do espaço. Há anos, alguém observou que de todos os Impérios do Egipto Antigo, o que mais relações teve com o exterior foi o Império Novo. Sintomaticamente, foi o mais belicoso, aquele que mais marcas deixou nos monumentos de uma cultura agónica, de uma cultura de guerra.
Onde há muitos Homens, o espaço escasseia, e onde o espaço escasseia há guerra. Em suma, eis a essência da geopolítica.
António Paulo Duarte
Instituto de História Contemporânea
Ana Barradas
Nasceu em 1944, em Moçambique. Autora, jornalista, tradutora, editora, consultora eleitoral. Actualmente dirige a editora feminista Ela por Ela, em Lisboa. Traduziu mais de oitenta títulos e, nos últimos anos, obras de Jack London, George Orwell e Noam Chomsky.
LIVROS PUBLICADOS:- Comores, as Ilhas da Lua, ed. Ela por Ela, 2005- Dicionário de Mulheres Rebeldes, ed. ed. Ela por Ela, 2007- As Clandestinas, ed. Ela por Ela, 2004- Médicos Nossos Conhecidos, ed. Medinfar, 2001 (esg.)- O Império a Preto e Branco, ed. Dinossauro, 1998- Ministros da Noite, Livro Negro da Expansão Portuguesa, ed. Antígona, 1995- Barradas, Ana et al., O Futuro Era Agora: O Movimento Popular do 25 de Abril, ed. Dinossauro, 1994.

Recorte do Texto de Apresentação
A Exposição “Imagens da Guerra – Duzentos anos de História”, que se apresenta na Escola Secundária do Fundão, integrada no Projecto “Geopolítica da Guerra”, a decorrer entre 2 e 22 de Maio de 2009, não foi fruto de uma qualquer investigação. Num mundo que tão facilmente tende a esquecer patrimónios e memórias, substituindo-os por uma acentuada globalização que esbate diversidades, o contributo do fundanense João Barroca foi decisivo para esta Exposição. Por isso, ela tem a marca deste amante da História, que ao longo da vida, com grande empenho e dedicação, tem coleccionado importantes testemunhos do passado. Trata-se de importantes e ilustrativos documentos, de índole diversa, sobre vários momentos históricos nacionais e internacionais, que constituem pedaços da memória do nosso passado comum e que colocou ao nosso dispor para divulgação. Da panóplia de documentos, privilegiámos a mostra de alguns mais significativos, sobre dois momentos da História nacional – as Invasões Francesas, que precipitaram a Revolução Liberal Portuguesa de 1820 e as Revoltas da Maria da Fonte e da Patuleia, uma onda de levantamentos populares provocados pelo descontentamento face às medidas tomadas por Costa Cabral em 1846 – e três momentos da História Europeia e Mundial: a I Guerra Mundial (1914-18), a Guerra Civil Espanhola, que dividiu Republicanos e Nacionalistas (1936-39) e colocou Franco no poder e a II Guerra Mundial (1939-45). Trata-se de um conjunto documental que capta aspectos fundamentais da nossa vida colectiva desde inícios da primeira década de 1800 até meados do séc. XX.
O espólio documental que João Barrocas fez questão de partilhar com todos os seus concidadãos permite-nos afirmar, citando o historiador René Rémond que “o entendimento do presente escapa a quem ignora tudo do passado e que só é possível ser contemporâneo do seu tempo, tendo conhecimento das heranças, consentidas ou contestadas”1. O olhar sobre “Imagens de Guerra – Duzentos anos de História…”, transporta-nos de forma surpreendente aos duros tempos marcados pela violência e a guerra, proporcionando a todos quantos a visitem uma extraordinária oportunidade, não só de conhecer alguns aspectos da vida nos períodos históricos representados, mas também de descobrir “recortes” da História Local. Ela terá a força de recuperar memórias de fundanenses, contribuindo para fortalecer o sentimento de pertença e de identidade, elementos fundamentais para a formação da cidadania tão almejada numa sociedade democrática.
Na tentativa de diversificar as actividades do Projecto “Geopolítica da Guerra”, a Associação Caminheiros da Gardunha, a Câmara Municipal do Fundão e a Esc. Secundária do Fundão organizaram o passeio temático “Re-Visitar S. Brás”, com o intuito de dar a conhecer aos locais um pouco da história e da cultura da região e promover a pratica de actividades saudáveis.
Maria Sobral Mendonça

O Projecto “Geopolítica da Guerra” tem como objectivo ser um conjunto de actividades culturais que levem as pessoas especular e reflectir acerca da temática muito geral da GUERRA, das suas causas e consequências, dos seus efeitos geográficos, políticos, sociais… Enfim, como criadora de Culturas, Povos, Territórios e Nações…
Pretendemos, assim, motivar a participação dos jovens na vida política, social, económica e cultural do país, desenvolver espírito crítico e a capacidade de análise dos estudantes, e trazer a uma região, considerada muitas vezes como esquecida e interior, um plano de actividades de qualidade.
Escolhemos como método abordar, num ambiente muito próprio, universal e multidisciplinar, a mesma temática sobre ângulos diferentes, mas complementares. Partindo do princípio que, na orgânica cultural contemporânea, com fenómenos como o multiculturalismo, a massificação da informação e mesmo a globalização, a tiragem de conclusões nunca pode ser verdadeira, mas, apenas, uma aproximação, válida e constante, a uma resposta. Que depende necessariamente da conjugação de métodos e disciplinas diferentes, de pessoas e abordagens dissemelhantes.
Por isso, juntamos as Ciências Sociais e Humanas clássicas como a História, a Geografia, o Direito, as Relações Internacionais e o Jornalismo, com disciplinas artísticas de vanguarda, como a Dança, a Pintura, a Literatura, a Fotografia, o Teatro, a Música e o Artesanato, com o propósito de multidisciplinarmente funcionarem em sintonia num propósito comum – saber do que realmente trata a Guerra.
Desta forma mantivemos contactos e estabelecemos parcerias com entidades públicas e privadas que, actualmente, apoiam o projecto e lhe dão força. Apoiamos as artes, na pessoa de jovens, mas já conceituados artistas, que adaptaram projectos já existentes ou entraram em processo de criação, já notáveis personagens da sociedade e garantiram este programa.
Que, por tão vasto, facilita difundir o voluntariado jovem e a ajuda ao próximo, como um modo de vida, propagar o interesse pela natureza e a sua conservação, motivar o turismo local, divulgar marcas regionais, apoiar a prática de hábitos de vida saudáveis e principalmente promover um desenvolvimento cultural.
Manuel Saraiva